terça-feira, 31 de julho de 2012

No céu com Ella

05
Fascinada, observava a Lua e suas fases... A lua exercia poderes estranhos sobre Ella... principalmente a Lua cheia...
Certa vez, embevecida que tava apreciando a beleza celeste viu claramente três rostos muito interessantes... claramente,  porque o céu estava límpido e claro do luar. Não era sua imaginação desenhando nuvens... nem havia nuvens no céu naquela noite. Deitada no chão fresquinho da varanda, os olhos semicerrados... Eles foram surgindo.. Reconheceria aqueles rostos mais tarde após descreve-los pra um amigo, que lhe mostraria algumas fotos... Ella ficou muito impressionada...Não lembrava de nenhum momento que em sua vida até então, tivesse visto aquelas fotos antes. Um dos rostos a olhara rindo, parecia divertido.. o outro apenas sorria, parecendo compreensivo.. o terceiro era muito sério e deste Ella desviou o olhar... Então surgiu uma quarta figura que a fez rir, o coelho Pernalonga degustando uma bonita cenoura. Voltou o olhar para o Mestre sério que continuava sério... quis saber o motivo daquela seriedade, quase rigidez... mas, direcionou o olhar para os dois que sorriam por súbita necessidade de carinho... quis perguntar  sobre o coelho mas,  alguém chamou... E os rostos sumiram. Ficariam na memória de Ella por toda sua vida. Ella ficou muito tempo sem entender a presença do coelho enfileirando aqueles rostos tão bonitos... Um longo tempo... Um longo tempo passaria até que Ella compreendesse o riso, o sorriso e a seriedade daquele instante. E tambem,  a presença do coelho...  Foi um momento único.
Era assim que Ella era.



terça-feira, 24 de julho de 2012

O Amor de Ella


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Do Amor muito se fala. Definições técnicas, racionais, espirituais... se não teem palavra,  inventam. Quem, em estado de Graça, negaria a necessidade de compartilhar a felicidade indizível?

À necessidade de cuidar, acarinhar, proteger, consumir, degustar, deu-se o nome de Amor. E o Amor ganhou divisões por conta mesmo dessas necessidades.

Ella teria muito que aprender com Eros, Philia, Storge, Psiquê, Pragma,  Ludus, Ágape... Ella era mesmo cheia de Mania... Em suas definições mais superficiais Ella  identificava-se um pouco com cada um... Viveria porém,  mais intensamente,  o Amor Mania.
 O Amor é a chave mestra pra todas as realizações. É multicor. É da natureza do Amor, amar. Então, o que é o Ódio? De onde vem esse sentimento opositor?

Ella ficava horas dando tratos à bola... não podia evitar. Era isso ou sonhar acordada. Tudo inevitável. Em seus afazeres, sonhava. Em horas de lazer “tratava a bola” ou vice versa...
Haveria explicações científicas pra quase tudo e espiritual pra tudo. Era uma questão de estudar e apreender...
 Que tempo era aquele... Dormindo, sonhara entrando por um labirinto em ruínas até encontrar-se num canto de uma cela, acuada... Ella queria saber. Ella queria saber muitas coisas... Dormindo, enterrara viva a própria mãe...  Disso, Ella tinha medo de saber... Numa explicação científica talvez fosse bem simples... Mas, e a espiritual? Já lera sobre certas Leis...  Que tipo de, e quantos, inimigos encontraria em busca dessas explicações? Melhor nem saber... Dava arrepios só de pensar que tivesse sido feroz inimiga algum dia... Dava vontade de chorar só de pensar que em algum momento de sua existência,  tivesse experimentado o Ódio...
 Melhor pensar no Amor. Entender o Amor. Sentir o Amor. Nutrir-se de Amor. Todas as formas de Amor. De Eros a Ágape! Há muito o que aprender! Melhor assim.  - “Rejeitarei o Ódio com todas as forças que possuir”. – prometeu-se.
Mas o Ódio rondava...
 Ella escapou para o Espaço Sideral. Como poderia saber, naquele momento, que justamente o Ódio, o medo do Ódio, a empurrara para experiências espirituais que norteariam sua existência? Havia muito que aprender...
Do que sabia das águas do Mar,  já lhe bastava por hora...
O que temos no céu?

domingo, 22 de julho de 2012

O Mar em Ella

03
Jamais esqueceria aquela imagem.
A rainha do Mar vindo,  do horizonte a noroeste, em sua direção, crescendo até agigantar-se enquanto se aproximava da praia. Não sentira medo, só fascínio. Era linda em suas vestes azul salpicadas de estrelinhas prateadas e seus longos cabelos pretos... Apenas sorria para Ella que sentiu súbita vontade de acomodar-se em seu colo, então, acordou...
Sabendo-se protegida,  não raro,  às vezes arriscava-se no mar,  mesmo sem saber nadar. Sentia a água no seu corpo como se fosse o colo de sua rainha, aconchegante... Mas não sabia nadar...Teria que aprender. Poderia ajudar pessoas que estivessem se afogando... Como aquela moça que ajudara, nunca poderá saber como. Ou sabia... Afoita avançou para a moça que pedia ajuda, esta se agarrara desesperada em um de seus braços e Ella avançou debatendo-se na água até seus pés sentirem a areia de novo. A moça saiu exclamando agradecimentos, por sentir-se salva por Ella que insistia em esclarecer à moça,  que nem sabia nadar. A moça parecia não ouvir... Ella sorriu...Permaneceu na água por algum tempo, em cumplicidade com sua rainha. Ella era muito jovem e distraída. E gostava de ficar à toa. A rainha do Mar? Era sua madrinha. Teria que lembrar-se do ocorrido a sua vida inteira apenas pra nunca esquecer, que não era sozinha. O sonho talvez fosse fruto da imaginação de uma menina, mas, o ocorrido não. Mergulhou feliz naquelas águas azuis e fresquinha enquanto um frenesi tomava todo o seu corpo e um agradecimento ecoava em sua mente – “Obrigada minha madrinha! Obrigada!”. Desde então, Ella desenvolveu um hábito de conversar com o Mar. Brincava com aquelas águas. Cada respingo era um chamado à brincadeira... Cada mergulho, um abraço de sua madrinha... Todo o mar era seu também! Mas não aprendeu a nadar. Ella era distraída.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

ELLA, QUO VADIS?

02
Ella em seu aprendizado acostumou-se a questionamentos... Questionava e principalmente a si mesma... Um questionamento que muito tomaria de seu tempo seria sobre religiões... tantas evangelizações...melhor mesmo era ficar a toa e ir tocando em frente...mas seguir adiante sem rumo pra onde? Achava que sabia de onde vinha. Pra onde ia? Quo Vadis Ella?

Gostava das cores do arco-íris e sonhou flutuar sobre o arco colorido... era bom sonhar acordada. Acordada sonhava com grandes amores e amizades. Tinha poucos amigos... Nem mesmo amiga tinha... E amigos também não. Precisava inventá-los. Perdida em seu arco e amigos inventados Ella por vezes nem lembrava mais de onde vinha tampouco que seguir era preciso... Pra onde? Pra que? Por quê? Ella oca.. de objetivos... Saturada de sonhos. Em seu arco, Ella era.

Sonhar era bom. Melhor ainda acordada, pois tudo podia... teria que fazer um enorme esforço para trazer a realidade um de seus sonhos,  talvez .
Sonhar dormindo não era tão bom. Lembrava-se de tudo fragmentado e não tinha quase nenhum controle do que acontecia... e poucas vezes lembrava que estava dormindo.. e quando lembrava sentia-se aliviada naquele sonho sufocante. Tantas vezes esforçava-se  para acordar...

Certa vez, Ella acordou acordada. Olhou pra um moço a sua frente e cismou que ele seria um de seus grandes amores. Ella, estava completamente equivocada. Ou semi acordada. Nem percebeu que não poderia inventar um grande amor naquele moço. O grande amor era só dela. O amor que havia nela, transbordando... Não o moço. Sim o Amor. Para aquele amor Ella estava toda preparada.. Para o moço, não. Idealizou o moço. Distraída, esqueceu-se de idealizar-se. Quo Vadis Ella? – aprender sobre distração.
Ella aprendeu.. mas só depois de outras experiências. Logo conto como foi.



sexta-feira, 13 de julho de 2012

ELLA





01.

Cortar *vassourinha e preparar a vassoura pra varrer o terreiro, colher  hibiscos, hortências, dálias e margaridas, arranjar em latinhas com água pra enfeitar a casa de tábua velha escurecida, telha de amianto e piso de terra bem varridinho.  Puxar água do poço pra lavar louça e roupa. Lavar tudo. Lavar-se. Passar roupa. Comida não precisava fazer. Adorava o cheirinho de carne seca acebolada com cebola e tomate, pra comer com feijão e arroz bem soltinho e quentinho. Depois tinha banana nanica. Tão nanica quanto Ella.

Menina franzina que nunca pensava. Mas sonhava. Mais que sonhava, vivia no sonho. Não o sonho de estudar pra ser gente... Gente, nem sabia que precisava ser ou seria. Não o sonho de crescer e casar... mas bem que gostava de namorar. Ella gostava de sonhar. Suas tardes inteiras eram preenchidas pelas fotonovelas que adentrava, na pele das personagens... Ella era todas elas. E nem sabia que precisava ser mais alguma coisa.

Ella não sabia mas sentia.  Sentia tesão. E se tocava e mais sentia. Namorava escondido todas as horas que dava... e dava.

Pouco dadinha, Ella cresceu. E como o que mais gostava era ficar recolhida, recolheu-se em outras casas... casas de Gente. Ella aprendeu o que era ser Gente.


Já dotada de aprendizado, Ella  se foi em busca dos seus sonhos.





*vassourinha - 

Nome Científico: Sida sp
Nome Popular: Vassoura, relógio, guaxima, guanxuma, guanxuma-branca, malva-preta, malva-brava, chá-da-índia, vassoura-de-relógio, vassourinha, malva, vassoura-do-campo
Família: Malvaceae
Divisão: Angiospermae
Origem: Américas
Ciclo de Vida: Perene

A vassoura é uma planta herbácea, de reconhecido valor medicinal, originária das Américas. Apresenta folhas simples em forma de losango, ou oval-lanceoladas, com bordos serrilhados. Seus ramos vão lignificando com o tempo, motivo pelo qual também é considerada um sub-arbusto. As flores são amarelas, com cinco pétalas, com o centro avermelhado às vezes.

É bastante popular sua utilização para a confecção de vassouras artesanais, o que lhe valeu um dos nomes populares.

(Fonte: www.jardineiro.net/br/banco/sida_sp.php)