Jamais esqueceria aquela imagem.
A rainha do Mar vindo, do
horizonte a noroeste, em sua direção, crescendo até agigantar-se enquanto se
aproximava da praia. Não sentira medo, só fascínio. Era linda em suas vestes
azul salpicadas de estrelinhas prateadas e seus longos cabelos pretos... Apenas
sorria para Ella que sentiu súbita vontade de acomodar-se em seu colo, então, acordou...
Sabendo-se protegida, não raro, às vezes arriscava-se no mar, mesmo sem
saber nadar. Sentia a água no seu corpo como se fosse o colo de sua rainha, aconchegante...
Mas não sabia nadar...Teria que aprender. Poderia ajudar pessoas que estivessem
se afogando... Como aquela moça que ajudara, nunca poderá saber como. Ou
sabia... Afoita avançou para a moça que pedia ajuda, esta se agarrara
desesperada em um de seus braços e Ella avançou debatendo-se na água até seus
pés sentirem a areia de novo. A moça saiu exclamando agradecimentos, por
sentir-se salva por Ella que insistia em esclarecer à moça, que nem sabia nadar. A moça parecia não ouvir...
Ella sorriu...Permaneceu na água por algum tempo, em cumplicidade com sua
rainha. Ella era muito jovem e distraída. E gostava de ficar à toa. A rainha do
Mar? Era sua madrinha. Teria que lembrar-se do ocorrido a sua vida inteira
apenas pra nunca esquecer, que não era sozinha. O sonho talvez fosse fruto da
imaginação de uma menina, mas, o ocorrido não. Mergulhou feliz naquelas águas
azuis e fresquinha enquanto um frenesi tomava todo o seu corpo e um
agradecimento ecoava em sua mente – “Obrigada minha madrinha! Obrigada!”. Desde
então, Ella desenvolveu um hábito de conversar com o Mar. Brincava com aquelas águas.
Cada respingo era um chamado à brincadeira... Cada mergulho, um abraço de sua madrinha...
Todo o mar era seu também! Mas não aprendeu a nadar. Ella era distraída.

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