E
lá vinha Ella caminhando sobre suas pedrinhas de brilhantes...
Absorvida que estava naquele ambiente de Luz, pode sentir a energia
daquelas pedrinhas tão lindas que compunham o chão daquela pequena
alameda, por onde seguia em direção a um dos seus espaços preferidos,
daquele Jardim paradisíaco que orgulhosamente, ajudou a construir... Podia
mesmo conversar com as pedras, e sentiu por elas, naquele momento, um
sentimento de amor e gratidão tão forte que seus olhos marejaram... –
“posso levar uma dessas pedrinhas como recordação deste momento” –
pensou. As pedrinhas responderam – “não leve daqui uma pedrinha sequer,
pois não te pertence.” E lágrimas rolaram em seu rosto. Percebeu no
brilho daquelas pedrinhas, alegria e dignidade. Eram, todas elas,
um caminho. Um caminho belo e inspirador... tinham o poder de fazer com
que, os que por ali passavam, flutuassem ou se integrassem ... Ella não
era ela durante seus passos naquele caminho e sim, aquelas pedrinhas...
Sorria e chorava ao mesmo tempo de puro êxtase... Jamais, jamais
comentaria daquela experiência tão sua... Não que tivesse tomado essa
decisão naquele momento, apenas deu-se conta disto muito tempo depois.
Ella se abraçaria às lembranças daquele momento ímpar... Iria para
aquele instante mágico, muitas, muitas vezes sorrindo, interiormente...
Sabia que se porventura tentasse explicar, ninguém jamais
compreenderia... ou acreditaria... Apesar do turbilhão de emoções
durante aquele breve caminhar em pedrinhas de brilhantes, Ella só parou
ao findar o caminho. Passou por ele o mais devagar que pode, incendiada
por aquela energia maravilhosa... Olhou pra trás e sentiu vontade de
retornar... Queria sentir mais, mais e mais...
Não que houvesse compreendido, naquele momento, sobre pedras no caminho ou caminho de pedras...Apenas percebeu a importância delas. E que ali, semeadas pelo homem, a então agora definitivamente suas, pedrinhas de brilhante, desempenhavam magnificamente a representação do belo. Ficou ali parada, olhando a trilha percorrida, extasiada... Havia muitas trilhas naquele Jardim, mas, decidiu que retornaria por aquela. Ella era toda, aquelas pedrinhas. Aquelas pedrinhas, eram Ella. Não que não houvesse se dado conta do frescor que as sombras daquelas belas, imponentes e cheirosas árvores proporcionavam durante o percurso. Mas as pedrinhas chamaram a atenção de Ella... Tão lindas eram.
Um verdadeiro banquete de emoções indescritíveis! Ella sentia-se profunda, profunda e irremediavelmente agradecida.
Prosseguiu.
Ella chegou no seu cantinho das azaléas... Ah! As Azaléas! Vermelhas, a maioria delas, lindas, aveludadas...
Outras, cor-de-rosa, cada uma mais linda que a outra!
O banco e mesa de concreto, o piso de mosaico, aquele silêncio... Quase ninguém passava por ali... Outro cantinho só seu... ali não plantaram árvores... Só Azaléas. O sol batia direto naquele recanto, a brisa suavizava o calor... As flores suavizavam a rigidez do concreto... Uma ou outra florzinha ressequida lembrava a necessidade da intervenção do Homem... Caso a chuva não fosse suficiente...
Ali, Ella reencontrou seu pai... Ali, Ella degustaria, em companhia de sua amada amiga Sueli, um suculento yakisoba ... Ali, no cantinho dos seus antepassados... Era um bom lugar... Haveria algo mais? Iria ao Templo.
Retornou ao seu caminho de pedrinhas brilhantes. Porem agora, elas estavam silenciosas... Pareciam dormir... Daquela emoção primeira apenas a certeza da lembrança do que sentiu... Ella parou um instante no meio do caminho... Sequer trouxera uma máquina fotográfica...Aquele caminho só seria para sempre, na memória dela...Inspirou profundamente, olhou em volta, cada detalhe, fechou os olhos, fotografou mentalmente, expirando devagarinho... Não reencontraria jamais, aquela paisagem no plano físico... Olhou as pedrinhas... Indiferentes, salpicadas de folhinhas secas... Ella quis ficar triste mas espantou a tristeza.
O que sentiu foi marcante... Mesmo que nunca mais sentisse, a marca daquele momento mágico estaria nela para sempre. Um sinal de conforto.
Alguns homens desciam pelo caminho conversando... pareciam desapercebidos daquele local sagrado... Ella subiu em direção ao Templo. Necessitava algumas respostas...





